A construção de um novo cenário para a pesquisa e a inovação no Amazonas começou a ganhar forma com a assinatura de um protocolo de intenções entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e o Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT). O compromisso, oficializado durante o encontro “Água e suas Potencialidades na Amazônia”, realizado na sede do INDT, zona oeste de Manaus, estabelece as bases para a criação do Parque de Ciência, Tecnologia e Inovação da Amazônia (PC&TIA).
O ato reuniu dirigentes de órgãos estratégicos da área científica, entre eles representantes da UFAM, do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), da Embrapa Amazônia Ocidental e do Inpa. O grupo reforçou que a iniciativa pretende integrar competências, eliminar barreiras institucionais e acelerar a construção de um ecossistema robusto de pesquisa e tecnologia voltado às necessidades do estado.

Para a diretora-presidente da Fapeam, Márcia Perales, a união de esforços simboliza uma virada de chave para o desenvolvimento científico local. Ela enfatizou que o movimento envolve não apenas a articulação entre instituições, mas a criação de um ambiente colaborativo capaz de impulsionar novos projetos e transformar conhecimento em soluções práticas. Segundo ela, o documento sela o início de um pacto institucional que prevê sinergia, novos investimentos e ampliação de redes técnicas.
Roberto Lavor, presidente do Conselho Consultivo do INDT, destacou que o parque nasce com a missão de conectar iniciativas que já vêm sendo executadas de forma isolada. Ele afirmou que a proposta do PC&TIA é consolidar um eixo estratégico que valorize o potencial amazonense e demonstre que o estado tem capacidade de gerar conhecimento e propor soluções tecnológicas para desafios locais e globais.

A programação do evento incluiu debates sobre recursos hídricos, pesquisas em andamento e o papel das agências de fomento no desenvolvimento sustentável. Durante a mesa-redonda, foram apresentados resultados acumulados pela Fapeam desde 2019, com investimentos superiores a R$ 880 milhões e projetos voltados à gestão da água em municípios do interior.
O encontro também abriu espaço para ações de popularização científica. Pela manhã, o Programa Ciência na Escola (PCE) foi destaque em palestra da professora Ana Cláudia Maquiné, que apresentou iniciativas de incentivo à formação de jovens pesquisadores. Paralelamente, o público teve acesso a portfólios da Fapeam com mais de 300 estudos apoiados pela instituição, além de materiais produzidos para a COP30.
O protocolo firmado marca o primeiro passo concreto rumo à implantação de um parque científico capaz de reposicionar o Amazonas no mapa da inovação brasileira e internacional.



