O Cine Teatro Guarany tornou-se palco, nesta segunda-feira (1º/12), de um encontro que ultrapassa a tela e se estende ao território simbólico do sentir, do existir e do narrar. A 2ª edição da Mostra Subjetividades Amazônidas apresentou seis documentários inéditos desenvolvidos por estudantes do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em um projeto que une ciência, arte e participação social.
A iniciativa, realizada com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, do Fapeam, Capes e demais instituições acadêmicas, reforça um movimento crescente de democratização do acesso à pesquisa científica, aproximando a universidade do cotidiano amazônico. A proposta surge como um desdobramento da disciplina “Tópicos em Subjetividade e Pesquisa-Documentário”, realizada ao longo de 2025, e utiliza o audiovisual como instrumento de registro, investigação e expressão.

Ao contrário dos modelos tradicionais de pesquisa, centrados em relatórios e publicações, a mostra aposta em novas formas de comunicar conhecimento. De acordo com o curador da iniciativa, o professor Ronaldo Gomes Souza, o projeto nasceu do desejo de romper barreiras entre o fazer acadêmico e a sociedade. “Percebemos que, se queremos dialogar de forma real com as pessoas, precisamos usar as linguagens que fazem parte da vida delas. Hoje, os vídeos ocupam um papel central na comunicação. Transformar nossas pesquisas em documentários amplia o acesso e cria pontes verdadeiras”, afirma.
Um dos pilares da metodologia utilizada é o envolvimento direto dos participantes nas etapas de criação. Pessoas que compartilham suas narrativas não aparecem apenas diante das câmeras: elas também registram imagens, enviam conteúdos e participam das decisões que moldam cada filme. O professor explica que esse processo gera uma construção coletiva e compartilhada. “Não filmamos histórias; construímos com elas. Ao final, todo o material é entregue ao Estado e pode ser utilizado em ações educativas e sociais.”

O conceito que dá nome à mostra traduz a essência do projeto: compreender subjetividades, formas de sentir, pensar e agir, à luz das singularidades amazônicas. A proposta é revelar nuances, afetos e identidades que muitas vezes permanecem escondidos sob a grandiosidade do território.
Os documentários exibidos trazem múltiplas perspectivas sobre a vida na região: relações comunitárias, desafios urbanos, expressões culturais e vivências marcadas por resistência, pertencimento e memória. Em cada obra, o público encontra fragmentos de um mosaico humano que compõe a Amazônia contemporânea.
A mostra se consolida, assim, como um espaço de escuta e visibilidade, convidando o público a enxergar a Amazônia para além dos discursos tradicionais, a partir de histórias reais, afetos concretos e vozes que formam a alma do território.



